Escola em Diálogo aborda escuta e acolhimento como caminhos para a valorização da vida

29/09/2026 ás 15:20:48

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Projeto Acolha-me compartilha experiência de atendimento por telefone e destaca a importância da escuta, da empatia e das redes de apoio.

Em alusão ao Setembro Amarelo, a Escola de Contas Públicas do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas dedica uma nova edição do projeto Escola em Diálogo à reflexão sobre a importância da escuta, do acolhimento e das redes de apoio na valorização da vida. A iniciativa conversa com Maria de Fátima da Conceição Remigio, coordenadora do Projeto Acolha-me, que atua por meio de atendimento telefônico voltado à escuta e ao acolhimento.

Com o tema “Setembro Amarelo: acolhimento e escuta como caminhos para a valorização da vida”, a entrevista apresenta a trajetória do projeto, seus princípios de atendimento e a importância de oferecer um espaço em que as pessoas possam falar com liberdade, respeito e sigilo.

Segundo Maria de Fátima, o Acolha-me surgiu a partir da preocupação do coordenador-geral da Associação Espírita Nosso Lar com a necessidade de oferecer um espaço de escuta que pudesse estar disponível também fora do horário de funcionamento da instituição. A partir dessa preocupação, um grupo de psicólogos participou da construção do projeto ao longo de nove meses.

No atendimento, a proposta é oferecer uma escuta ativa, baseada em paciência, empatia, respeito e ausência de julgamentos. A coordenadora explica que o objetivo não é oferecer respostas prontas, mas permitir que a própria pessoa reflita sobre o que está vivendo e tome suas decisões.

"Escutar também é uma forma de cuidar"

Entre as principais demandas relatadas pelo projeto estão questões relacionadas à tristeza, solidão, medo e dificuldades nos relacionamentos familiares e no ambiente de trabalho. A entrevistada ressalta que muitas pessoas encontram dificuldade para falar sobre o que estão vivendo por receio de serem identificadas, julgadas ou incompreendidas.

Nesse sentido, o sigilo aparece como um elemento importante para criar um espaço de confiança. Para Maria de Fátima, ouvir verdadeiramente significa evitar julgamentos e conselhos imediatos, reconhecendo que cada pessoa vivencia sua própria realidade.

A construção de uma rede de apoio também é apontada como fundamental. Familiares, amigos, colegas, profissionais, instituições e comunidade podem contribuir para que uma pessoa não se sinta sozinha e tenha acesso ao apoio necessário.

"Cuidado também no ambiente de trabalho"

A entrevista também aborda a saúde emocional no serviço público. Entre as possibilidades apontadas estão a criação de espaços seguros para conversas individuais, o acionamento de setores como medicina do trabalho, psicologia organizacional e assistência social, além de ações de conscientização sobre saúde mental, assédio moral e burnout.

Para os colegas, atitudes como oferecer ajuda em períodos de sobrecarga, manter a discrição e observar mudanças de comportamento com sensibilidade também podem contribuir para um ambiente de trabalho mais acolhedor.

A coordenadora destaca ainda que instituições públicas e sociedade possuem responsabilidades complementares na construção de uma cultura de cuidado, com fortalecimento das redes de atenção, promoção do diálogo sobre saúde mental e apoio a iniciativas comunitárias de acolhimento.

Ao final da entrevista, o Projeto Acolha-me reforça sua mensagem de disponibilidade para ouvir e acolher quem estiver passando por um momento difícil. O projeto informa atendimento pelo telefone (82) 3142-3722, 24 horas por dia, durante os sete dias da semana, com sigilo, empatia e respeito. Também convida pessoas interessadas a conhecerem as possibilidades de voluntariado por meio do Instagram @acolhame.

A edição do Escola em Diálogo reforça que falar, ouvir e acolher são atitudes que podem fortalecer vínculos e ampliar as redes de apoio. A proposta do Setembro Amarelo também destaca a importância de estar presente, ouvir sem julgamentos e incentivar a busca por ajuda quando necessário.

Escola em Diálogo é uma iniciativa da Escola de Contas Públicas do TCE-AL que busca aproximar conhecimento, experiências e reflexões de interesse público da sociedade, valorizando pessoas e iniciativas que contribuem para a construção de uma sociedade mais atenta e acolhedora.


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