Escola em Diálogo destaca a importância do leite humano como política pública de cuidado e proteção à primeira infância

05/08/2026 ás 13:14:41

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Em alusão ao Agosto Dourado, mês dedicado à promoção, proteção e incentivo ao aleitamento materno, o projeto Escola em Diálogo, da Escola de Contas Públicas Conselheiro José Alfredo de Mendonça, entrevistou a médica pediatra Maristela Honório de Oliveira, coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HU/Ufal). A edição evidencia a importância do leite humano como instrumento de promoção da saúde, redução da mortalidade infantil e fortalecimento das políticas públicas voltadas à primeira infância.

Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, Maristela atua há anos na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, coordenando um serviço que beneficia dezenas de recém-nascidos prematuros e de baixo peso atendidos pelo Hospital Universitário.

Segundo a médica, o Agosto Dourado representa muito mais do que uma campanha de conscientização. Para ela, as ações desenvolvidas pela Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano aproximam a sociedade de uma realidade muitas vezes desconhecida: a necessidade permanente de doações para garantir alimentação segura aos bebês internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e Unidades de Cuidados Intermediários (UCIs) Neonatais.

"O leite humano doado serve tanto como alimento quanto como medicamento para esses recém-nascidos. Ele favorece o desenvolvimento, fortalece a imunidade e contribui para reduzir o tempo de internação", afirma.

No Banco de Leite Humano do Hospital Universitário, todo o leite recebido passa por rigorosos processos de análise e pasteurização antes de ser distribuído aos bebês que necessitam desse alimento. O procedimento garante segurança e qualidade, permitindo que o leite preserve propriedades essenciais para o desenvolvimento infantil.

Entre os principais benefícios do leite humano pasteurizado estão a redução do risco de enterocolite necrosante, sepse, meningite e outras infecções graves, além da melhora do desenvolvimento neurológico, do fortalecimento da microbiota intestinal e do fornecimento dos nutrientes necessários ao crescimento saudável dos recém-nascidos.

"Estoques variam ao longo do ano"

Durante a entrevista, Maristela Honório explica que os estoques do Banco de Leite sofrem oscilações ao longo do ano e que, atualmente, o serviço enfrenta um período de baixa nas doações.

"A variação do estoque ocorre de forma sazonal. No momento estamos com um estoque pequeno e existe uma grande demanda das UTIs e UCIs Neonatais. Por isso, as campanhas são fundamentais para estimular novas doadoras."

A coordenadora informa que aproximadamente 40 recém-nascidos são atendidos mensalmente nas unidades neonatais do Hospital Universitário. Segundo ela, cada mililitro de leite humano pasteurizado pode beneficiar vários bebês prematuros, evidenciando a importância de cada doação recebida.

"Doar é simples e seguro"

A entrevista também esclarece quem pode se tornar doadora. De acordo com Maristela, mulheres que estejam amamentando, sejam saudáveis e possuam leite excedente podem participar da rede de doação.

É necessário apresentar exames laboratoriais dentro da normalidade, não fazer uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação, nem consumir álcool ou drogas ilícitas.

Após o contato com o Banco de Leite, a equipe fornece todas as orientações necessárias e entrega um kit contendo frasco esterilizado, máscara, gorro, etiquetas e material informativo para realização da coleta em casa.

Outro diferencial do serviço é o atendimento domiciliar. O Hospital Universitário disponibiliza motoristas treinados para buscar o leite na residência das doadoras, tornando o processo mais prático e confortável.

"Informação também salva vidas"

A médica alerta que ainda existem muitos mitos sobre a doação de leite humano. O principal deles é a ideia de que doar pode fazer faltar leite para o próprio bebê.

Segundo ela, ocorre justamente o contrário.

"O leite doado é apenas o excedente. Quanto mais a mulher realiza a ordenha para retirada do leite, maior tende a ser sua produção."

Maristela também ressalta que a promoção do aleitamento materno depende do compromisso coletivo de instituições públicas, profissionais da saúde, imprensa e sociedade.

Ela defende que esse incentivo deve começar ainda no pré-natal e continuar durante todo o período da amamentação, fortalecendo políticas públicas capazes de reduzir o desmame precoce e melhorar os indicadores de saúde infantil.

"O apoio da imprensa amplia o conhecimento da população, incentiva a amamentação exclusiva e fortalece a cultura da doação de leite humano. Uma população bem informada é fundamental nessa caminhada."

"Cada gota faz diferença"

Ao encerrar a entrevista, a coordenadora deixa uma mensagem às mães que possuem leite excedente.

"A doação é uma maneira muito especial e amorosa de ajudar porque vai salvar a vida de recém-nascidos muito comprometidos. Doar é uma das maiores provas de amor que alguém pode demonstrar."

Ela reforça que cada pequena quantidade doada representa uma oportunidade de vida para bebês internados e faz um convite às mulheres que podem contribuir.

"Cada gota do seu leite vai salvar muitas vidas. Esses bebês e suas mães serão eternamente gratos."

Maristela Honório conclui destacando que incentivar o aleitamento materno exclusivo, manter a amamentação até os dois anos de idade e ampliar a cultura da doação de leite humano representam investimentos diretos na saúde pública, na redução da mortalidade infantil e até mesmo na sustentabilidade ambiental.

Serviço:

Banco de Leite Humano – Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HU/Ufal) | Telefone: (82) 3202-3945

Endereço: Avenida Lourival Melo Mota, s/n – Cidade Universitária – Maceió (AL). |Funcionamento: Segunda-feira a sábado, das 7h às 19h.



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