Médica do TCE-AL destaca importância de cuidar da saúde mental no ambiente de trabalho

28/09/2026 ás 08:18:57

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Especialista alerta para sinais de sofrimento psíquico, importância da prevenção e papel de colegas e gestores no acolhimento



Encerrando o mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida, a discussão sobre saúde mental também ganha espaço no ambiente de trabalho. No Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL), a médica da instituição, psiquiatra Suzzana Bernardes, chama atenção para a importância de reconhecer os sinais de sofrimento psíquico, buscar ajuda profissional e construir ambientes de trabalho mais saudáveis.

Segundo a médica, diferentes situações podem contribuir para o adoecimento mental, entre elas a falta de reconhecimento profissional, a sobrecarga de trabalho, cobranças excessivas, assédio, ambientes com altos níveis de competitividade e a ausência de apoio por parte de gestores e colegas. “Não existe saúde sem saúde mental”, destaca ao reforçar que procurar ajuda profissional não deve ser motivo de vergonha ou receio.

Mudanças de comportamento podem indicar que uma pessoa está passando por um momento de sofrimento e precisam ser observadas por colegas, gestores e familiares. Entre os sinais estão perda de motivação, desânimo, tristeza ou irritabilidade, faltas frequentes ao trabalho, aumento excessivo da jornada, queda na produção, isolamento, indiferença em relação ao futuro e discursos pessimistas.

Suzzana Bernardes também explica que é importante diferenciar momentos pontuais de cansaço e estresse de situações que demandam atenção especializada. “Todos nós podemos eventualmente estar mais cansados e sobrecarregados em determinados momentos. Mas, para necessitar de ajuda profissional, é importante observar a frequência, a intensidade e a capacidade de recuperação do indivíduo”, explica. “Uma fase de estresse costuma apresentar início, meio e fim. Quando o descanso deixa de proporcionar melhora, entretanto, pode ser um sinal de alerta.”

A dificuldade em reconhecer o próprio sofrimento também está relacionada, segundo a médica, à cultura de valorização do excesso de trabalho. Muitas pessoas têm dificuldade para identificar o que estão sentindo e podem levar tempo até perceber que precisam de ajuda.

O processo de adoecimento nem sempre acontece de forma repentina. “O quadro é lento e gradual, não súbito. Isso ajuda a passar despercebido”, afirma.

Quando um colega apresenta sinais de que não estar bem, uma das principais atitudes é oferecer ajuda e se colocar à disposição para ouvir. A médica orienta, porém, que essa abordagem seja feita de maneira reservada, evitando a exposição da pessoa. “Escolher a hora e o local é importante para evitar exposição. É preciso escutar e evitar julgamentos ou comparações com experiências pessoais”, orienta.

O TCE-AL conta com um Setor de Psicologia, que oferece acolhimento e acompanhamento aos servidores, através da atuação integrada com a Medicina. Para a médica, a existência de profissionais especializados dentro da própria instituição facilita o acesso ao cuidado, especialmente para aqueles que não têm condições financeiras de buscar esse acompanhamento fora do ambiente de trabalho. Para a dra. Suzzana, uma instituição que se preocupa com a saúde de seus servidores também contribui para melhorar o ambiente de trabalho e a qualidade dos serviços prestados à sociedade.


“É sábio um gestor olhar para o funcionário que trabalha ao seu lado. Se o servidor está saudável do ponto de vista físico e psíquico, sua produtividade aumenta e o ambiente de trabalho é melhor”, finaliza.

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